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  • Irmão Alcy Ribeiro da Costa

O Dia do Maçom


A Academia Maçônica de Letras do Espírito Santo pranteia a Passagem para o Oriente Eterno do Sapientíssimo Irmão Alcy Ribeiro da Costa e publica em sua homenagem Palestra Alusiva ao Dia do Maçom, por ele proferida na ARLS Estrela de Camburi nº 2093 no dia 19 de agosto de 2014.

Fonte "O Malhete"

O DIA DO MAÇOM

Alcy Ribeiro da Costa

Ao assumir a missão de dissertar sobre a data em que é comemorado no Brasil O DIA DO MAÇOM, declaro-me embevecido pelo privilégio de poder fazê-lo perante os Obreiros desta e de outras Oficinas, muitos dos quais altamente qualificados para interpretar de forma ampla e aprimorada, as atividades então desenvolvidas pela Maçonaria, que resultaram na proclamação da Independência do Brasil.

Renomados historiadores dão conta dos múltiplos acontecimentos que se sucederam à tomada de decisão na Sessão extraordinária das Lojas Maçônicas “Comércio e Artes” e “União e Tranquilidade”, no dia 20 de agosto de 1822, no Rio de Janeiro. O elevado senso de brasilidade do honorável Maçom Joaquim Gonçalves Ledo, fazendo sentir a necessidade de proclamar-se imediatamente a Independência do Brasil, formulou moção nesse sentido, sendo a mesma aprovada e registrada em ata no 20º dia do 6º mês maçônico do Ano da Verdadeira Luz de 5822, interpretado como se fosse o dia 20 de agosto.

A referida ata dessa reunião foi imediatamente encaminhada ao Maçom D. Pedro I, que se encontrava viajando e, ao recebê-la as margens do riacho Ipiranga, em 07 de Setembro, o Imperador proclamou a Independência do Brasil, por encontrar o respaldo de que carecia e por tratar-se de uma determinação emanada da maçonaria brasileira.

Assim, para os Maçons, a decisão assumida em 20 de agosto, que resultou na proclamação da Independência do Brasil, simboliza de modo inconteste a luta da Maçonaria pela liberdade de nosso país e pelo estabelecimento da soberania no solo pátrio.

Institucionalmente, e por princípio, a Maçonaria não é contrária aos procedimentos de nenhum outro agrupamento, desde que condicionado ao fato de sejam respeitados os princípios humanos; que promovam o ordenamento e o progresso social.

A Instituição Maçônica, sempre pugnou pelo princípio da Liberdade, o acesso universal à instrução, o direito de acesso aos meios de produção, pela liberdade política, pela defesa dos Estados laicos e pela comunhão entre os povos. Lutou pelo fim do Absolutismo; pelo fim da Escravidão; pela eliminação das oligarquias na sociedade, e pela extinção do totalitarismo de Hitler, de Mussolini e de Franco, na Alemanha, Itália e Espanha, respectivamente, exemplos de Estados onde a Maçonaria foi perseguida e praticamente eliminada com a morte de mais de 400.000 maçons nos campos de extermínio.

Pautamos nossos princípios e nossas ações na

"Liberdade com ordem / Igualdade com respeito / Fraternidade com justiça".

Herdeiros que somos de um passado brilhante, reafirmamos: E’ dentro da escola maçônica que apreendemos e praticamos essa tríade, pois ela representa o que há de mais puro na libertação humana.

Não há atalhos nem desvios. O caminho é esse ! O crescer do Maçom dentro do Templo de Salomão aponta os caminhos árduos para alcançar a plenitude do ser humano. Parafraseando o que diz o Livro da Lei, a Bíblia, ressaltamos: “quem tiver olhos , que veja, e quem tiver ouvidos, que ouça”.

E’ assim, abrindo os olhos e os ouvidos aos tempos de estudos é que a Maçonaria nos leva a subir essa escada de aperfeiçoamento, saindo da brutalidade pela polidez, até os píncaros da Sabedoria, da qual o patriarca Salomão é o símbolo maior.

Nos dias atuais verifica-se, infelizmente, o ressurgimento de preocupantes degradações dos costumes contra os quais a Maçonaria tem enfrentado novos desafios.

Ela tem estado atenta às grandes questões nacionais e vem contribuindo através de seus membros para a solução desses problemas.

Como fatos recentes de sua ação política, podemos citar:

-Em 1978, a defesa da volta do país ao estado democrático de direito; -Em 1982, o apelo público para a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte; -Em 1992, a defesa da introdução no país do sistema parlamentarista; -Em 2000, a denúncia de que a crise sócio econômica vivida pelo país resultava da política governamental de privilégio do econômico sobre o social; -Em 2001, a conclamação do povo brasileiro no sentido de que as autoridades constituídas adotassem posições enérgicas e definitivas para a solução dos graves problemas sociais que estariam levando a nação ao caos moral, social, político e econômico; -Em 2004, o alerta de ameaça à soberania nacional, por outras potências, em face do mapeamento estratégico militar e dos recursos naturais por por “missões” estrangeiras ilegalmente instaladas na Amazônia Legal; - Em 2005, o repúdio à corrupção que corrói as instituições que alicerçam o Estado Democrático de Direito; -Em 2006, a preocupação com o estado de perplexidade e confusão da sociedade brasileira, diante da sequência de escândalos envolvendo o patrimônio público por sanguessugas e mensaleiros, enquanto os poderes constituídos se quedavam inertes; -Em 2008, o apoio incondicional ao movimento moralizador desencadeado pela Justiça Eleitoral no sentido de permitir exclusivamente a participação de candidatos fichas-limpas nos processos eleitorais; -Em 2009, O grito por uma reforma nos Poderes constituídos, como passo fundamental para que fossem eliminadas as causas das mazelas atingindo a cidadania; -Em 2010, a exigência da garantia da liberdade de imprensa e da implementação de ações de enfrentamento à disseminação das drogas, à criminalidade e de defesa à juventude.

Na América Latina, temos exemplos notáveis da atuação de grandes homens que passaram pela Fraternidade Maçônica, estabelecendo marcos indeléveis de seu apego aos princípios preconizados pela nossa Ordem. Dentre eles, o libertador SIMON BOLIVAR. Segundo os historiadores Julio Mancini e Américo Carnicelli, Bolívar, ainda jovem, logo após a sua chegada em Cádiz, na Espanha, fez amizade com intelectuais que freqüentavam a Loja Maçônica “Lautaro”, com os quais conversava sobre as idéias de liberdade e a necessidade de lutar contra toda forma de opressão.

Atraído por esse pensamento revolucionário, decidiu ingressar na referida Loja, no ano de 1803, onde conheceu outros latino americanos, como José de San Martin e Mariano Moreno, que mais tarde seriam próceres da independência em seu país. Na mencionada Loja, debatia-se sobre as idéias de “liberdade, Igualdade e fraternidade”, sobre a dignidade do homem e a possibilidade de converter em Repúblicas as colônias espanholas de América. Vê-se, pois, que as discussões na Loja “Lautaro” é que fez germinar na mente de Bolivar essas idéias de prosperidade, incentivando ali a expansão do sentido da liberdade para o resto da América do Sul.

Deste modo, o ideal da maçonaria: Liberdade, Igualdade e Fraternidade” segue ainda hoje inspirando os seres humanos na construção de uma sociedade mais justa e solidária.

E, ainda mais, essa Irmandade tem alcance mundial e permeia a sociedade com membros espalhados por todos os recantos do planeta, o que orgulha a cada coração maçônico quando exclama, admirando:

“Eu tenho tantos irmãos que não os consigo contar!!!, como bem relata esse belo poema produzido pelo escritor, compositor e cantor argentino Héctor Roberto Chavero : Os Irmãos

E assim seguimos andando Curtidos pela solidão Eu tenho tantos irmãos Nos perdemos pelo mundo Que não os consigo contar E voltamos a nos encontrar E assim nos reconhecemos Pelo tão distante olhar No vale e na montanha Na campina e no mar Pelas mentiras que contamos Cada um com seus trabalhos Sementes de imensidão Com seus sonhos cada qual E assim vamos caminhando Com a esperança no futuro Curtidos pela solidão Com as recordações do passado E em nós, nossos mortos Eu tenho tantos irmãos Pra nada ficar esquecido Que eu não os consigo contar Gente de mãos bem quentes Eu tenho tantos irmãos Por isso, a amizade Eu não os consigo contar Com um choro para chorar Com uma oração para orar E uma irmã muito formosa Que se chama LIBERDADE Com um horizonte aberto Que sempre está mais além E essa força pra buscá-lo Com volúpia e vontade Quando parece mais perto E’ quando se afasta mais

Eu tenho tantos irmãos Que não os posso contar

Meus Irmãos, Minhas Cunhadas, Senhoras e Senhores convidados: Cumpre-me, por fim, formular um registro de todo afetivo e de enaltecimento ao trabalho de caráter social, filantrópico e de aproximação da família maçônica, desenvolvido pelas denodadas associadas da Fraternidade Feminina Cruzeiro do Sul, vinculada a esta Loja Maçônica, cuja ação desprendida e de apoio às entidades beneficentes sediadas na área metropolitana, como a Santa Casa, Educandário Alzira Bley e outras, muito tem contribuído para a expansão do conceito da ”Estrela de Camburi” no seio da jurisdição do GOB-ES.

Aliás, sem falsa modéstia, diríamos mais: é dever do maçom capixaba, e de todo o Brasil, render homenagens às “cunhadas” que aqui mourejam, pois, o Grande Oriente do Brasil, mediante Ato baixado pelo Soberano Ir.’. Marcos José da Silva, fez expedir o Diploma de Reconhecimento de que, efetivamente, o primeiro Departamento Social Feminino instalado no território nacional, ocorreu em Cachoeiro de Itapemirim, no dia 04 de abril de 1959, antes mesmo da criação da Fraternidade Feminina Cruzeiro do Sul, no ano de 1967, normatizada trinta anos após.

Alcy Ribeiro da Costa CIM 58.415

ARLS “Fraternidade e Luz” nº 0623 19/08/2014

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