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  • Hever da Silva Nogueira

ARTES MAÇÔNICAS


ARTES MAÇÔNICAS

Acadêmico Ir.: Hever da Silva Nogueira – Cadeira 13 – Patr. Irmão Kurt Prober

Com este artigo, pretendo iniciar uma abordagem sobre as Artes Plásticas, que fiz, com motivos Maçônicos. Assim sendo, nessa oportunidade, busco dizer sobre os três quadros que pintei objetivando, em primeiro lugar, decorar a Sala de Estar, da minha Loja Mãe – Aurora de Brasília –!684, embora, não posso omitir que, por meio deles, também, pretendi transmitir certas mensagens morais, tanto aos Irmãos, como às demais pessoas quem os visualizassem. É bem verdade, que, estando afastado do convívio com a minha Oficina Mãe, os quadros, também serviram para matar um pouco da saudade, muito intensa, que se instalara no meu coração, tão logo deixei Brasília. Creio, então, que devo iniciar contando os porquês e como surgiu a ideia de pintar os quadros. Eu havia comparecido à Sessão de Loja de Mesa, realizada para homenagear a S. João – nosso Padroeiro – por ocasião do Solstício de Inverno, em 2002. Tão logo cheguei, a alegria de rever e abraçar os meus Irmãos foi intensa, propiciando-me um reencontro maravilhoso. Porém, as mudanças estruturais que tinham sido feitas na Sala de Estar da Loja, surpreenderam-me...tudo estava mais amplo e o ambiente apresentavase suntuoso...deixando-me perplexo. Acredito ser importante dizer que, ainda que me sentisse admirado com o ar de imponência, a nudez das imensas paredes - todas pintadas em branco neve - não me proporcionava uma sensação agradável. Parecia-me uma vastidão sem vida. Ainda que o branco traduza a Paz, a sensação não era nada de pacificidade. Naturalmente, havia necessidade de eu ser discreto, para não denunciar a minha percepção... Eu não tinha o direito de contaminar o convívio fraterno, tão gostoso que reinava entre mim e os demais Irmãos. A Sessão iniciara e sua beleza ritualística fez-me esquecer, pelo menos, momentaneamente, o efeito que a alvura da Sala me causara. Terminada a Sessão, novos abraços de Irmãos, com os quais ainda não tivera contato, e muitos minutos de alegria permitiram que eu retornasse ao hotel, em que estava hospedado, um tanto mais tranquilo. Todavia, o sono não fora tão conciliador, todavia, buscando deixar para o dia seguinte os pensamentos, consegui adormecer... afinal de contas, tinha o tempo todo da viagem de volta ao Espírito Santo, para conjeturar o que fazer.. E assim aconteceu. Às vinte horas, bastou que o ônibus desse partida, e a minha mente - como que já estivesse programada – relembrou a Sala de Estar da Loja, e, inúmeras conjecturas foram surgindo para torna-la mais agradável. Depois de imaginar várias decorações, até inconcebíveis para o ambiente, pensei que alguns quadros apresentando motivos alusivos à Ordem, poderiam se prestar para uma ótima decoração... o pensamento deve ter sido tão alto que o meu vizinho de viagem pigarreou. Um calafrio desceu-me pela coluna... Tais ilustrações poderiam despertar certa curiosidade aos profanos, propiciando interpretações equivocadas... Gelei mais ainda: a quebra do sigilo!!!

Garanto que a preocupação, acabou tornando a noite e a viagem bem mais longa do que é na realidade. Dá-se um jeito - busquei justificar, para não continuar preocupado. O ônibus já havia parado em Paracatú e chegara em Três Marias. A lua cheia clareava o rio S. Francisco e fazia a madrugada ficar aprazível. Soltei do veículo e dei uma volta mirando a barragem iluminada pelo luar. Mas, uma nuvem espeça encobriu o satélite, fazendo a noite parecer mais noite. Um faixo de luz, rompendo o anteparo, acabou por criar um caminho luminosos entre o céu e a terra... Sentei-me em um tronco de árvore, colocado no chão, para apreciar o espetáculo. A buzina do ônibus tocou chamando os passageiros e me fez despertar do devaneio. Entrementes, ao voltar para o coletivo, ainda tive a felicidade de deparar uma velha escada com cinco degraus corroídos, que me deram a impressão de serem obstáculos intransponíveis a quem quisesse subir, por ela .A viagem continuara e depois de avaliar o que me acontecera na parada, voltei, em pensamentos, à Sala de Estar da Loja... de imediato, as paredes alvas e vazias, induziram-me a conjeturar uma semelhança da dor sentida com a morte de um grande Mestre... o responsável pela decoração do Templo de Salomão. Então, agradeci a Deus por me ter proporcionado a inspiração dos motivos a serem pintados, pois sem qualquer constrangimento, nos quadros eu iria transmitir um significado especial para os Maçons e uma semântica plausível para as demais pessoas. Virei a cabeça para o lado e só fui despertado pelos raios do sol, formando no horizonte uma luminosidade jovial. Ainda deu-me tempo de pegar alguns documentos que estavam na maleta de mão, e aproveitando o reverso do papel, começar a esboçar as primeiras ideias das pinturas que seriam sugeridas para ornamentar a Sala de Estar da minha Loja Mãe. Um ano depois, retornei à Brasília e, com aquiescência do Venerável Mestre e de todos os Irmãos, da Loja, coloquei nas paredes os quadros que havia pintado.

Ao primeiro, denominei de “FIAT LUX”.

A pintura mostra que o Homem deve ter como ideal a Verdade (fachos de luz). Para tal, aprimora-se pelo conhecimento (pergaminho, tinteiro e pena) e pelo trabalho (pedra, maço, cinzel, luvas e avental), utilizando-se dos quatro Elementos da Natureza: a Terra (tronco), o Ar (céu), a Água (samovar) e o Fogo (vela acesa), como inspiração e argumento. Completa o seu aperfeiçoamento, refletindo sobre os prazeres da vida (taça), entendendo que da sua prática desmensurada brota o desequilíbrio moral, gerando o estado de cegueira (venda), que o impossibilitará de atingir o ideal.

Ao segundo, chamei de “A ELEVAÇÃO DO HOMEM”.

A pintura representa os estágios de elevação do homem. O primeiro degrau, mostra o conhecimento rudimentar (pedra tosca), sendo evoluído por meio do trabalho braçal (maço e cinzel).O segundo, a ampliação do conhecimento (pergaminho) conquistada através dos traçados da reta (régua) e da figura perfeita: o círculo ( compasso). O terceiro, o Homem, senhor de sua capacidade (régua), visualizando a possibilidade de, com o seu conhecimento, dominar o mundo (alavanca). O quarto, através do discernimento, o Homem constata suas limitações (régua) e procura pautar suas atitudes pela retidão (esquadro). O quinto, o trabalho mais intelectivo (pedra lapidada) pelo qual o homem percebe a justiça (espada) como a forma ideal de conduzi-lo por caminhos iluminados (candelabro de velas) para atingir a universalidade da evolução espiritual (espiga de trigo). Sentindo que antes de se lançar a qualquer empreendimento deve primeiro invocar a proteção de Deus (Estrela resplandecente).

Ao terceiro, dei a denominação de “EXALTAÇÃO DA CONSCIÊNCIA”.

A PINTURA REPRESENTA O Home Livre e de Bons Costumes, consciente de que só as atitudes corretas (maço, esquadro e régua) traduzindo o amor e a humanidade (solo e relva) são capazes de levá-lo à perfeição humana. Sabe que se as condutas forem calcadas por condições escusas, por arrogâncias ou por desonestidades (manchas de sangue nos instrumentos de trabalho) irão promover o desrespeito ao semelhante, o despotismo e a vaidade, além de estarem destruindo a humanidade (galho de árvore arrancado), estarão matando a ele próprio (avental manchado de sangue). Sabe ainda que se assim acontecer, por mais que procure se esconder na trevas (céu escuro), jamais poderá se ocultar, pois a voz de sua consciência (facho de luz) de imediato, o denunciará.

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